Pedrinhas

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o Susto

Algumas crianças escolhem que desenhos animados querem ver antes ao sábado de manhã.

Outras aprendem cedo demais palavras como “tratamento”, “internamento”, “cirurgia” e “medo”.

O problema começa nessa diferença. Entre uma infância que pode ser só infância e uma infância obrigada a negociar com hospitais, agendas médicas e muitos quilómetros de distância.

A Fundação Pedrinhas já tinha uma missão clara: apoiar crianças com doenças oncológicas, doenças raras e outras condições graves, assim como as suas famílias. Mas o Pedrinhas Natur precisava de mais do que boas intenções.

Precisava de sair do papel.

O projeto quer erguer 10 moradias de acolhimento na Serra da Lousã, pensadas para receber famílias durante períodos de tratamento, deslocação ou adaptação às novas necessidades da criança. Não é turismo. Não é retiro. Não é uma ideia bonita para ficar bem numa apresentação.

É alojamento, proximidade, descanso e algum silêncio num momento em que tudo faz barulho.

E era preciso transformar issonuma causa impossível de ignorar.

o Atake

Pegámos neste projeto em regime pro bono com uma ideia simples: se vamos pedir ajuda, temos de começar por mostrar a sorte que muitos de nós nem percebemos que temos.

Colocámos lado a lado crianças saudáveis e crianças em contexto de doença, e fizemos-lhes perguntas ditas “banais”, até percebermos quão diferentes as respostas seriam quando a infância passa por tratamentos, internamentos e limitações que nenhuma criança devia conhecer.

A campanha não precisava de chorar mais alto do que a realidade.

Precisava de criar contraste.

Entre quem pode escolher brincar e quem tem de escolher aguentar. Entre quem conta os dias para as férias e quem conta os dias para a próxima consulta. Entre a infância que damos por garantida e a infância que precisa de ajuda para ter mais conforto.

O arranque aconteceu a 1 de junho, Dia da Criança.

A partir daí, levámos a campanha para várias frentes: redes sociais, entrevistas a crianças e pais, landing page de angariação, Meta Ads, imprensa, televisão, outdoors e mupis digitais.

Trabalhámos oportunidades em meios como Jornal de Notícias, Expresso, SAPO e Correio da Manhã. Preparámos vídeos curtos para RTP e SIC Esperança. Levámos a mensagem para a rua com o apoio da DreamMedia.

O objetivo nunca foi fazer uma campanha “fofinha” ou até “dramática”.

Foi sempre criar uma campanha útil. Daquelas que nos fazem parar, ler, perceber e, idealmente, fazer alguma coisa.

E a pergunta que ficou no centro de tudo: Já partilhou a sua sorte?

o Monstro

Nos primeiros 15 dias, a campanha começou a mexer.

Foram angariados 324,33 € em donativos. Não vamos fingir que isto constrói uma moradia. Não constrói. Mas também não vamos fingir que não significa nada. Significa validação inicial, primeiros contributos e prova de que a mensagem começou a sair da bolha.

No Facebook, a campanha alcançou 72.539 pessoas. No Instagram, chegou às 38.711. Nos primeiros dias, a landing page registou 1 106 visualizações.

A campanha não ficou a falar sozinha.

Foi vista. Foi aberta. Foi lida. Foi clicada. Começou a criar o seu caminho.

O Pedrinhas Natur ainda está em construção, mas a sua comunicação deixou de estar à espera que alguém tropeçasse na causa. Passou a ir ter com as pessoas, ao feed, à televisão, à imprensa, à rua, ao momento certo e à pergunta certa.

Para nós, este projeto é uma daquelas oportunidades raras em que a indústria pode provar que sabe fazer mais do que vender produtos, gerar leads e pôr marcas a parecer interessantes.

Pode ajudar a construir alguma coisa com impacto real.

Dez moradias na Serra da Lousã.

Dez espaços para acolher famílias quando a vida lhes tira o chão.

Uma campanha para lembrar que sorte não é só tê-la.

É saber o que fazer com ela.

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